A
tendência de aplicar controle visando à segurança física e patrimonial
é cada vez mais presente em nosso mundo. Com a popularização desta
tendência, a sofisticação dos sistemas utilizados é cada vez mais
patente, tornando cada dia mais próximo o futuro tecnológico presente
nos filmes de ficção dos anos 70 e 80.
Entre essas tecnologias como que criadas nesses filmes de ficção,
estão alguns sistemas de segurança eletrônica e de controle de
acesso que fazem uso da biometria, ou seja, de aparelhos capazes
de fazer a leitura de íris e de digitais, assim como de geometria
da mão. Naturalmente, pela sua sofisticação e pouco uso, esses
sistemas ainda são mais caros do que os de identificação tradicional,
através de documentos, fotos etc. e também de identificação automática
indireta e transferível, baseado no reconhecimento de pessoas
por meio de cartões, de todos os tipos de tecnologia, incluindo
os códigos de acesso, mas que podem ser transferidas e ou furtadas.
Principalmente no Brasil, poucas empresas possuem esses sistemas,
mas na Europa e nos Estados Unidos, já se faz presente em muitas
empresas, aumentando a eficiência dos sistemas de controle.
Os primeiros sistemas, que faziam a leitura das características
geométricas da mão, foram lançados no mercado norte-americano
na segunda metade da década de 70. Na mesma época, têm início
os estudos baseados em impressões digitais e padrões vasculares
da retina do olho humano.
A preocupação crescente com segurança, inclusive no âmbito internacional,
leva ao surgimento de vários sistemas biométricos, que, para identificação
das pessoas, fazem uso de características individuais tais como
voz, digitais, assinaturas, reconhecimento do padrão vascular
da retina, reconhecimento da íris, odor do corpo e geometria da
mão, palma da mão, dedos das mãos e dos pés, rosto e orelhas.
Biometria – do grego, Bios (vida) e Métron (medida) – é a forma
automática direta e intransferível de reconhecimento ou autenticação
da identidade via alguma característica física específica da pessoa,
fundamentado em alta tecnologia, com elevados graus de segurança.
Para isso, relaciona teorias matemáticas, estatísticas de biologia.
Tudo isso associado resulta em tempo de análise e de consulta,
tornado a agilidade fator secundário. Exemplificando, no caso
de leitura de íris, com um banco de dados de 10 mil itens, a captura
das informações, que depende da colaboração do usuário, leva,
nos casos ideais, menos de 1 segundo, mas o tempo de identificação
pode chegar a 30 minutos ou mais. Por este motivo, a biometria
ainda é usada somente como fator de confirmação de identidade,
utilizando-se algum outro elemento para a identificação, como,
por exemplo, cartões de proximidade ou teclados com senha pessoal.
A credibilidade do sistema é outro ponto que merece ser analisado
e é definido por índices de falsa recusa (FR) e de falsa aceitação
(FA), com falsa recusa relacionando-se à possibilidade de uma
pessoa válida ser rejeitada pelo equipamento, e falsa aceitação
sendo a possibilidade de que, por erro, o equipamento confunda
duas pessoas distintas.
Mas o tempo de análise e a relação custo-benefício vêm merecendo
investimentos por parte dos fabricantes, e significativa evolução
já pode ser notada, com ganhos também na confiabilidade e na eficácia
das ações. Em meados dos anos 70, para a verificação do timbre
da voz eram necessários 10 Mbytes de informação por pessoa; para
impressões digitais, 3 Mbytes; e para caligrafia, 500 bytes. Hoje,
as unidades de reconhecimento da voz alcançam l60 bytes; as digitais,
400 bytes; e as de caligrafia, 40 bytes por indivíduo. Neste mesmo
período, o custo de um equipamento para características biométricas,
que inicialmente chegava a US$ 20 mil, hoje está entre US$ 3 mil
e US$ 4 mil.
As pesquisas atuais estão levando ao desenvolvimento de muitas
tecnologias biométricas, e as tendências apontam para a possibilidade
de algumas não passarem de uma simples vontade. Mesmo assim, o
sistema tem defensores que prevêem o uso maciço das tecnologias
hoje existentes no mundo do comércio eletrônico, oferecendo níveis
mais elevados de segurança. O que a realidade mostra, permitindo
um palpite confiável com relação ao futuro, é a integração da
biometria com os sistemas tradicionais de controle de acesso.
Funcionamento e
complexidade dos sistemas
Para obter a informação, o meio físico é imprescindível, sendo
que o mais comum envolve a captura de imagens por sistemas térmicos,
indutivos ou ultrassônico, além de acústicos no caso dos equipamentos
orientados para reconhecimento de voz.
Após a captura, a informação é armazenada em forma integral ou
em formato especial denominado planilha biométrica, obtida pela
comparação entre os dados físicos capturados via processo matemático
e/ou algoritmo, especialmente desenvolvido pelo fabricante.
De forma prática, os equipamentos biométricos dividem-se em três
partes: interface com o usuário, cérebro e comunicações. Enquanto
a interface com usuário é expressa em telas de exibição ou de
informação, teclado, luzes indicadoras, campainhas, e exige uma
área de captura da informação biométrica de formato variável e
condizente à tecnologia empregada; o cérebro consiste na área
de manuseio das informações e de processo, que governa a função
do equipamento, com hardwares associados inseridos na própria
máquina ou em um computador conectado ao equipamento, com todos
os recursos de programação, processamento e armazenamento da informação.
Contudo, é nas Comunicações que se concentram os meios capazes
de realizar as comunicações entre todos os elementos envolvidos,
similares ou não, seja para enviar resultados, seja para completar
a operação.
Além disso, os critérios de identificação também variam segundo
o nível de segurança e os objetivos de verificação ou de identificação.
Desse modo, há sistemas biométricos que identificam as características
das pessoas e as comparam com as diversas planilhas biométricas
armazenadas em um banco de dados, estabelecendo a identidade da
pessoa em questão; e existem sistemas de verificação, que comparam
as características biométricas da pessoa em interação com o equipamento
no momento partindo do princípio que os dados da pessoa estão
armazenados na unidade, ação que exige uma chave de acesso passível
de indicar ao cérebro do equipamento o local específico onde está
arquivada a planilha biométrica.
Sistemas biométricos
existentes e suas aplicações
Reconhecimento de voz é aquele que reconhece o timbre da
voz de um indivíduo, seja pela análise de uma palavra, seja pelo
conjunto de palavras. Apresenta dificuldades em casos de resfriados,
rouquidão etc.
Geometria da mão é o sistema que faz a análise das características
físicas da mão, fazendo cerca de 90 medições, como comprimento,
largura, espessura. Amplamente utilizado, tem elevado índice de
correção, é barato e rápido em relação a outros métodos – para
o reconhecimento de 1 entre 1 mil pessoas necessita de cerca de
3 segundos por pessoa –, sendo, portanto, indicado para uso em
escolas, clubes etc. No entanto, devido a suas características,
é indicado para locais onde os níveis de segurança exigidos são
baixos.
Reconhecimento da face ou geometria da face captura a imagem
usando uma câmara, armazenando-a em um banco de dados, e baseia-se
em medidas que não podem ser alteradas nem por cirurgia, como
distância entre olhos, relação da distância entre boca, nariz
e olhos, podendo usar como variante a captura dos padrões térmicos
do rosto. Entre os problemas que apresenta está o ângulo de captura
da imagem, a pessoa tem de posar para a foto, pois a qualidade
da imagem está diretamente vinculada à eficiência de funcionamento
do sistema. Essa dificuldade pode ser sanada com a utilização
de duas câmaras para captura da imagem, frente e lado. É indicado
para uso em estádios de futebol e aeroportos.
Reconhecimento pela íris escaneia os vasos sanguíneos da retina
e é o sistema mais seguro da atualidade, pois os vasos sanguíneos
da íris são como as impressões digitais: não há dois iguais. Além
disso, a identificação é possível mesmo com o uso de óculos escuros
e/ou lentes de contato e se a vida for subtraída, os vasos automaticamente
deixam de existir.
Impressão digital é a tecnologia utilizada há mais tempo
em segurança, pois o processo eletrônico é bastante semelhante
ao sistema convencional de tirar as impressões digitais, sendo
imediatamente associado a inquérito policial. O sistema biométrico
captura a imagem da impressão digital e a analisa. Os problemas
relacionam-se a dedos sujos, úmidos ou muito secos, que geram
erros na comparação das imagens escaneadas.
Análise da assinatura ou da caligrafia é o sistema baseado
na forma e na dinâmica em relação ao tempo para escrever uma determinada
palavra.