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Biometria aproxima do presente a visão futurista dos anos 70
Por Roberto Luigi Bettoni

A tendência de aplicar controle visando à segurança física e patrimonial é cada vez mais presente em nosso mundo. Com a popularização desta tendência, a sofisticação dos sistemas utilizados é cada vez mais patente, tornando cada dia mais próximo o futuro tecnológico presente nos filmes de ficção dos anos 70 e 80.

Entre essas tecnologias como que criadas nesses filmes de ficção, estão alguns sistemas de segurança eletrônica e de controle de acesso que fazem uso da biometria, ou seja, de aparelhos capazes de fazer a leitura de íris e de digitais, assim como de geometria da mão. Naturalmente, pela sua sofisticação e pouco uso, esses sistemas ainda são mais caros do que os de identificação tradicional, através de documentos, fotos etc. e também de identificação automática indireta e transferível, baseado no reconhecimento de pessoas por meio de cartões, de todos os tipos de tecnologia, incluindo os códigos de acesso, mas que podem ser transferidas e ou furtadas. Principalmente no Brasil, poucas empresas possuem esses sistemas, mas na Europa e nos Estados Unidos, já se faz presente em muitas empresas, aumentando a eficiência dos sistemas de controle.

Os primeiros sistemas, que faziam a leitura das características geométricas da mão, foram lançados no mercado norte-americano na segunda metade da década de 70. Na mesma época, têm início os estudos baseados em impressões digitais e padrões vasculares da retina do olho humano.

A preocupação crescente com segurança, inclusive no âmbito internacional, leva ao surgimento de vários sistemas biométricos, que, para identificação das pessoas, fazem uso de características individuais tais como voz, digitais, assinaturas, reconhecimento do padrão vascular da retina, reconhecimento da íris, odor do corpo e geometria da mão, palma da mão, dedos das mãos e dos pés, rosto e orelhas.

Biometria – do grego, Bios (vida) e Métron (medida) – é a forma automática direta e intransferível de reconhecimento ou autenticação da identidade via alguma característica física específica da pessoa, fundamentado em alta tecnologia, com elevados graus de segurança. Para isso, relaciona teorias matemáticas, estatísticas de biologia.

Tudo isso associado resulta em tempo de análise e de consulta, tornado a agilidade fator secundário. Exemplificando, no caso de leitura de íris, com um banco de dados de 10 mil itens, a captura das informações, que depende da colaboração do usuário, leva, nos casos ideais, menos de 1 segundo, mas o tempo de identificação pode chegar a 30 minutos ou mais. Por este motivo, a biometria ainda é usada somente como fator de confirmação de identidade, utilizando-se algum outro elemento para a identificação, como, por exemplo, cartões de proximidade ou teclados com senha pessoal.

A credibilidade do sistema é outro ponto que merece ser analisado e é definido por índices de falsa recusa (FR) e de falsa aceitação (FA), com falsa recusa relacionando-se à possibilidade de uma pessoa válida ser rejeitada pelo equipamento, e falsa aceitação sendo a possibilidade de que, por erro, o equipamento confunda duas pessoas distintas.

Mas o tempo de análise e a relação custo-benefício vêm merecendo investimentos por parte dos fabricantes, e significativa evolução já pode ser notada, com ganhos também na confiabilidade e na eficácia das ações. Em meados dos anos 70, para a verificação do timbre da voz eram necessários 10 Mbytes de informação por pessoa; para impressões digitais, 3 Mbytes; e para caligrafia, 500 bytes. Hoje, as unidades de reconhecimento da voz alcançam l60 bytes; as digitais, 400 bytes; e as de caligrafia, 40 bytes por indivíduo. Neste mesmo período, o custo de um equipamento para características biométricas, que inicialmente chegava a US$ 20 mil, hoje está entre US$ 3 mil e US$ 4 mil.

As pesquisas atuais estão levando ao desenvolvimento de muitas tecnologias biométricas, e as tendências apontam para a possibilidade de algumas não passarem de uma simples vontade. Mesmo assim, o sistema tem defensores que prevêem o uso maciço das tecnologias hoje existentes no mundo do comércio eletrônico, oferecendo níveis mais elevados de segurança. O que a realidade mostra, permitindo um palpite confiável com relação ao futuro, é a integração da biometria com os sistemas tradicionais de controle de acesso.

Funcionamento e complexidade dos sistemas
Para obter a informação, o meio físico é imprescindível, sendo que o mais comum envolve a captura de imagens por sistemas térmicos, indutivos ou ultrassônico, além de acústicos no caso dos equipamentos orientados para reconhecimento de voz.

Após a captura, a informação é armazenada em forma integral ou em formato especial denominado planilha biométrica, obtida pela comparação entre os dados físicos capturados via processo matemático e/ou algoritmo, especialmente desenvolvido pelo fabricante.

De forma prática, os equipamentos biométricos dividem-se em três partes: interface com o usuário, cérebro e comunicações. Enquanto a interface com usuário é expressa em telas de exibição ou de informação, teclado, luzes indicadoras, campainhas, e exige uma área de captura da informação biométrica de formato variável e condizente à tecnologia empregada; o cérebro consiste na área de manuseio das informações e de processo, que governa a função do equipamento, com hardwares associados inseridos na própria máquina ou em um computador conectado ao equipamento, com todos os recursos de programação, processamento e armazenamento da informação. Contudo, é nas Comunicações que se concentram os meios capazes de realizar as comunicações entre todos os elementos envolvidos, similares ou não, seja para enviar resultados, seja para completar a operação.

Além disso, os critérios de identificação também variam segundo o nível de segurança e os objetivos de verificação ou de identificação. Desse modo, há sistemas biométricos que identificam as características das pessoas e as comparam com as diversas planilhas biométricas armazenadas em um banco de dados, estabelecendo a identidade da pessoa em questão; e existem sistemas de verificação, que comparam as características biométricas da pessoa em interação com o equipamento no momento partindo do princípio que os dados da pessoa estão armazenados na unidade, ação que exige uma chave de acesso passível de indicar ao cérebro do equipamento o local específico onde está arquivada a planilha biométrica.

Sistemas biométricos existentes e suas aplicações

Reconhecimento de voz é aquele que reconhece o timbre da voz de um indivíduo, seja pela análise de uma palavra, seja pelo conjunto de palavras. Apresenta dificuldades em casos de resfriados, rouquidão etc.

Geometria da mão é o sistema que faz a análise das características físicas da mão, fazendo cerca de 90 medições, como comprimento, largura, espessura. Amplamente utilizado, tem elevado índice de correção, é barato e rápido em relação a outros métodos – para o reconhecimento de 1 entre 1 mil pessoas necessita de cerca de 3 segundos por pessoa –, sendo, portanto, indicado para uso em escolas, clubes etc. No entanto, devido a suas características, é indicado para locais onde os níveis de segurança exigidos são baixos.

Reconhecimento da face ou geometria da face
captura a imagem usando uma câmara, armazenando-a em um banco de dados, e baseia-se em medidas que não podem ser alteradas nem por cirurgia, como distância entre olhos, relação da distância entre boca, nariz e olhos, podendo usar como variante a captura dos padrões térmicos do rosto. Entre os problemas que apresenta está o ângulo de captura da imagem, a pessoa tem de posar para a foto, pois a qualidade da imagem está diretamente vinculada à eficiência de funcionamento do sistema. Essa dificuldade pode ser sanada com a utilização de duas câmaras para captura da imagem, frente e lado. É indicado para uso em estádios de futebol e aeroportos.

Reconhecimento pela íris
escaneia os vasos sanguíneos da retina e é o sistema mais seguro da atualidade, pois os vasos sanguíneos da íris são como as impressões digitais: não há dois iguais. Além disso, a identificação é possível mesmo com o uso de óculos escuros e/ou lentes de contato e se a vida for subtraída, os vasos automaticamente deixam de existir.

Impressão digital é a tecnologia utilizada há mais tempo em segurança, pois o processo eletrônico é bastante semelhante ao sistema convencional de tirar as impressões digitais, sendo imediatamente associado a inquérito policial. O sistema biométrico captura a imagem da impressão digital e a analisa. Os problemas relacionam-se a dedos sujos, úmidos ou muito secos, que geram erros na comparação das imagens escaneadas.

Análise da assinatura ou da caligrafia é o sistema baseado na forma e na dinâmica em relação ao tempo para escrever uma determinada palavra.

Roberto Luigi Bettoni, principal executivo da Bettoni Automação e Segurança, é membro do Comitê Diretivo da Bicsi Brasil e responde pela Diretoria de Sistemas da Abrapi – Associação Brasileira de Automação e Prédios Inteligentes. É engenheiro eletrônico e mestre em Engenharia Eletrônica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.

 

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