Como
será que as pessoas irão trabalhar no futuro? Como serão seus
ambientes de trabalho? Como os profissionais se relacionarão,
seja intra-empresa seja com seus clientes e fornecedores? Para
tentar responder a estas e outras perguntas, entre os dias 18
a 28 de novembro, nos 22º e 23º andares do Edifício Plaza Iguatemi,
na Avenida Brigadeiro Faria Lima, na capital paulista, aconteceu
o evento Escritório do Futuro, uma realização da Editora Abril
– revistas Arquitetura e Construção e Exame –, com a consultoria
da arquiteta Claudia Andrade (espaço) e do engenheiro Roberto
Luigi Bettoni (tecnologia). Neste evento, aproximadamente 5.000
visitantes puderam ter uma idéia de como serão os ambientes de
trabalho num futuro não muito distante, sob a ótica de um seleto
grupo de arquitetos.
Os dois grandes enfoques evidenciados foram o arquitetônico e
o tecnológico, ambos misturados de forma orgânica e integrada,
refletindo os conceitos modernos de trabalho e de relacionamento
inter-pessoal.
No aspecto arquitetônico, a tendência aponta claramente para ambientes
funcionais e descontraídos. Além dos tradicionais sala da Presidência
e Recursos Humanos, a mostra introduziu os conceitos de clube,
free-address, sala de videoconferência, operação e controle, box
de idéias, circuito motivacional, info-corner, cyberpoint etc.,
sem contar os home-offices, cada vez mais uma realidade dos profissionais
modernos.
No aspecto tecnológico, a integração com o arquitetônico se faz
sentir de forma tênue, porém constante em todos os espaços. A
tecnologia está cada vez mais compacta, integrando funcionalidades,
a exemplo de equipamentos já existentes onde um único aparelho
responde pelas funções de telefone celular, PDA, câmaras com capacidade
de fotografia e filme, míni-notebook (com editor de texto, planilhas
e apresentação de slides). Como resultado dessas facilidades,
a liberdade, com os profissionais ficando cada vez menos presos
a uma mesa de trabalho com a possibilidade crescente de executar
suas tarefas onde e quando lhes for mais conveniente. Por exemplo,
eu escrevi este texto no meu PDA, confortavelmente sentado no
sofá da minha casa num sábado chuvoso.
A videoconferência já é uma realidade, e cada dia será mais usada,
pois facilita a comunicação entre profissionais, economizando
tempo de deslocamento e recursos financeiros. A qualidade da videoconferência
ainda é questionável, mas também tende a melhorar com o aumento
da capacidade (banda) de comunicação disponibilizada pelas operadoras,
a custos mais acessíveis.
Com os conceitos de clube e free-address, verifica-se cada vez
mais o compartilhamento de espaços pelos funcionários da empresa,
num conceito de first come first served, sem que haja para cada
um uma mesa exclusiva, mas bastando trazer o notebook e conectá-lo
à rede da empresa, seja através de cabo ou wireless. Fica evidente
que com o aumento da mobilidade decorrente de equipamentos mais
compactos, os funcionários utilizam o seu tempo muito mais eficientemente
e não obrigatoriamente dentro da empresa.
A tecnologia está mudando drasticamente os costumes e conceitos
de trabalho criados com a Revolução Industrial do início do Século
XX, com os ambientes hierarquizados e rígidos, dando lugar à mobilidade,
à comunicação e à informação, num misto entre o real e o virtual.
Bem-vindos ao futuro!
Obs.: Os arquitetos participantes, que responderam pelo design
dos espaços foram:
Anastassiades Arquitetos;
Arthur Casas;
Athié Wohnrath Associados;
Batagliesi & Associados;
Betty Birger Arquitetura & Interiores;
Dante Della Manna Arquitetura e Gerenciamento;
Edo Rocha Espaços Corporativos;
Fernando Brandão Arquitetura + Design;
João Armentano;
José Luiz Fávaro e Antonio Carlos Rodrigues;
Königsberger Vanucchi;
Nucci, Petraróia, Camargo Arquitetos;
Paulo Lisboa Arquitetura;
Piratininga Arquitetos;
Roberto Loeb e Associados;
Rocco Associados;
Saturno Planejamento, Arquitetura e Consultoria; e
Sidonio Porto Arquitetos Associados