|
|
| ...:::::artigo |
| |
Criatividade!
= Coisa de extraterrestre???
Por Rui Santo
|
Eram
uma vez, quatro pastores de ovelhas.
Enquanto bebiam vinho na taberna, seu ponto de encontro, tagarelavam.
Cada um carregava seu punhadinho de pedrinhas, dentro de um saquinho,
amarrado no pescoço. Cada pedrinha correspondia a uma ovelha.
Para saber “o monte” de ovelhas que cada um cuidava, colocavam
as pedrinhas sobre a mesa e logo cada um podia ver se seus companheiros
haviam perdido alguma ou se outras haviam nascido.
As transações eram feitas primeiro com pedrinhas, e depois se
concretizavam com a efetiva transferência de ovelhas de um pasto
para outro. De vez em quando entregavam uma pedrinha ao dono da
taberna, para pagar o vinho e as farras das 6ª feiras...
E assim iam levando a vida, até que um dia apareceu um sujeito
muito estranho, que queria entender o significado daquelas pedrinhas.
Depois das explicações dos pastores, disse para cada um, “quantas”
ovelhas possuía, de “quantas” ovelhas era formado o rebanho total,
quem tinha mais e quem tinha menos, a diferença entre cada um
deles e por ai adiante. Ficaram muito atentos quando “o estranho”
explicou quantas canecas de vinho equivaliam a uma ovelha. Mas
não entenderam nada. Qualificaram-no de extraterrestre e continuaram
com suas pedrinhas.
Pois é, essa “estória” que não é uma história, mas poderia ser,
expõe como a criatividade normalmente é vista. Coisa de extraterrestre!
O extraterrestre nessa estória é um sujeito que aprendeu e utiliza
um conceito chamado “aritmética”, que foi no passado “uma idéia”,
posteriormente esquematizada em metodologia, ensinada nas escolas
e praticada diariamente. Sabedoria lúdica, apreendida e transformada
em conhecimento direto, permitiu-lhe saber sobre ovelhas, embora
não fosse pastor.
|
OU
VOCÊ APRENDE AS CINCO OPERAÇÕES, OU ESSE NEGÓCIO VAI CONTINUAR
PARECENDO COISA DE EXTRATERRESTRE!
|
Mas o extraterrestre não ia conseguir surpreender tanto os pastores,
se não soubesse e praticasse “todo o processo aritmético, de ponta
a ponta” - somar, subtrair, multiplicar e dividir.
Quando aprendemos “técnicas de criatividade”, brainstorming –
tempestade de idéias, por exemplo, sem aprender “todo o processo
criativo, de ponta a ponta”, equivale a aprender somente a somar
idéias.
Tem muito pouca (ou nenhuma?) utilidade em si. É realmente difícil
compreender “para que serve isso!”. Mas quando aparece alguém,
que pratica as cinco operações da criatividade... - Puxa! Como
você é extraterrestre, digo criativo!
Se eu estiver bloqueado mentalmente, encapsulado dentro do “meu
cercadinho mental”, só consigo enxergar o problema virtual – a
miragem, não vejo o problema real, menos ainda oportunidades,
e certamente, não vou enxergar qualquer utilidade em “ter muitas
idéias”.
E se, estando fora do “meu cercadinho mental”, desbloqueado completamente,
não conseguir gerar grandes quantidades de alternativas, de ordem
esférica, certamente não vou conseguir incubar as variadas sugestões,
embora incube as que me forem possíveis.
Como saber se incubamos todas as possibilidades? Não temos como
saber, mas temos como compreender se estamos oferecendo sugestões
pontuais, lineares, anelares, esféricas ou infinitas. A abrangência
das idéias é fácil de identificar. As ferramentas de cada fase
do processo, como, por exemplo, a “técnica dos cinco sentidos
– a bússola da criatividade”, podem me dar essa informação.
Praticar as tecnologias atuais, nos mostra em qual fase podemos
estar travados mentalmente, adquirir a consciência dela, e então
buscar uma atitude pontual, para destrancar essa porta cerebral
e prosseguir.
A vantagem de aprender e praticar as “cinco fases do processo
criativo – desbloqueio mental / espraiamento da percepção / cenário
de problema real x virtual / técnicas de geração de soluções /
técnicas de escolha da melhor alternativa pela intuição” - através
de ferramentas claras e objetivas, como na aritmética, nos poupa
o trabalho de ter que inventar a roda, cada vez que precisamos
inovar.
Não que esse exercício seja fácil ou automático, porque não é
mesmo, mas você pode fazer visitas – mentais - às fases, com maior
velocidade e destreza, dado que “já” possui a roda, ao invés da
limitação de só poder andar a pé, com saquinhos de pedrinhas penduradas
no pescoço...
É claro que sempre haverá aqueles que preferem continuar como
“pastores”, mas nesse caso, precisam carregar uma pedreira, para
pagar as cervejas nas tavernas, durante as nossas tagarelices
das 6ª feiras. Haja britadeiras no mundo!!!
|
CRIA
= ATIVA +
A + MENTE,
Rui Santo
Rui Santo é Engenheiro Sênior Internacional,
Prof. de criatividade MBA/PECE/USP – Gestão e Engenharia de Produto,
artista plástico, autor de várias técnicas de criatividade, qualificado
pela OMPI / ONU para a Propriedade Intelectual, consultor em criatividade
/ inovação e palestrante em empresas e eventos.
|
|
|
|
É
expressamente proibida a reprodução total ou parcial
deste artigo sem a expressa autorização do autor.
|
| |
|
Outros
artigos de Rui Santo
|
|
|
|
|