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Saiba como projetar um empreendimento para receber tecnologias atuais e futuras
Por Victor Goldstein
Em meus últimos artigos para a revista MAR, discorri sobre vários projetos e empreendimentos viabilizados com tecnologia e uma coisa é comum a todos: foram idealizados em seu momento inicial, na pré-construção, e na maioria das vezes, em fase anterior ao lançamento imobiliário.
Talvez isto se deva ao fato do contratante (construtor) poder incrementar o marketing tecnológico em momento oportuno, viabilizar melhor os custos e realmente poder oferecer a seus clientes, um imóvel capaz de suportar o que já existe de mais moderno, bem como preparado para receber as tecnologias vindouras, ao menos do ponto de vista de infra-estrutura. Não me canso de imaginar como seria a apresentação que um corretor de imóveis da década de 50 faria, ao mostrar uma apartamento com a nova concepção da área de serviço preparada para receber a máquina de lavar, com direito a pontos extras de água e esgoto, além de ponto elétrico dedicado; ou mesmo vendendo a facilidade de duas vagas na garagem, para um imóvel moderno dos anos dourados... Seguindo este contexto devemos imaginar o quanto era popular, na década de 50, a máquina de lavar e também quantos carros a família média brasileira possuía na época. Pois bem, na atualidade estamos vivendo de alguma forma a mesma situação, porém com muito mais elementos diferentes de modernidade. Atualmente, o imóvel preparado para o futuro tem, por exemplo, uma rede de eletrodutos especial, visando a distribuição inteligente das mídias que chegam aos lares e escritórios como são os casos do telefones, tv à cabo, satélites, internet banda larga etc, permitindo a total flexibilização da distribuirão e a formação das já demandadas redes de computadores residenciais (In Home Network) e Home Offices. Nesta mesma distribuição de eletrodutos já se pode programar também a colocação de Access Points, para não esquecermos que o Wireless pode e poderá cada vez mais, ser utilizado em ambientes residenciais e comerciais, facilitando, e muito, a flexibilização e conexão. Isto sem contar que para alguns casos ele se apresenta como a melhor solução para a relação "custo x beneficio". O imóvel atual preparado para o futuro, é projetado levando em consideração também, o conhecimento, as dimensões e as necessidades dos eletrodomésticos modernos que já estão disponíveis, e vários outros que estão em fase de protótipos e prestes a chegarem ao mercado. Um bom exemplo são as geladeiras que têm conexão a web, com a proposta de serem os novos terminais internet de uma casa, além de efetuarem várias aplicações inteligentes como o controle de estoque, por exemplo. Outros exemplos são os microondas, as máquinas de lavar de última geração, as banheiras, os aspiradores de pó e Web Pads, entre vários equipamentos nas suas versões "standard" que estão com suas versões século 21 prestes a invadir nosso dia-a-dia. Desta forma, será bastante prudente, por exemplo, deixar prevista a conexão à internet banda larga na cozinha. Pensando em automação de circuitos elétricos e iluminação, o projetista (integrador) deverá fazer o máximo para que o imóvel tenha maior facilidade no caso da instalação de sistemas, permitindo escalas no início e possíveis expansões da instalação. Eletrodutos para cabos estruturados de controle, fases e neutros disponíveis para as tecnologias que se utilizam da PLC (Power Line Carrier). Não podemos esquecer a preparação destes imóveis para o entretenimento. Às vezes, um simples eletroduto bem colocado, pode facilitar muito a instalação de um Home Theather..... Outra peça do projeto que merece atenção é o Home Gateway, equipamento responsável por programações integradas específicas e ligação dos comandos das facilidades da casa com o mundo exterior (internet, telefonia etc.). Este equipamento, cada vez mais popular, também merece seu lugar na arquitetura moderna. Podemos entender então que o projetista ideal para o imóvel inteligente é alguém que tenha o conhecimento das necessidades tecnológicas existentes; detenha informações do que está na prancheta dos futuristas; tenha extremo bom censo, de modo a permitir que o imóvel que está sendo projetado esteja apto a receber padrões abertos, e não só necessariamente tecnologias proprietárias; pondere custo x benefício de infra-estruturas extras e, principalmente, faça com que o futuro usuário do imóvel possa, de forma escalonada, usufruir os benefícios atuais e novidades vindouras pelo máximo de tempo possível, sem a necessidade de novas obras. Construtores, incorporadores e proprietários de imóveis do mercado brasileiro demandam este serviço. Vários deles já oferecem ao mercado este imóvel, preparado e inserido na realidade High Tech. Adaptar o projeto do interior destes imóveis ao futuro, de forma ampla, isenta, flexível e escalonada, é sem dúvida um grande desafio para os projetistas e, certamente, fundamental para definir o valor do imóvel no presente.