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Infelizmente vivemos, desde o inicio dos anos 80, dos tais “vôos de galinha”, expressão ultimamente bastante utilizada no jargão econômico, para definir bolhas de crescimento ou curtos períodos de desenvolvimento.
Quando observamos o verdadeiro emaranhado tributário, a falta de crédito de longo prazo a custos acessíveis, a arcaica legislação trabalhista com que convivemos, difícil é entendermos como algumas indústrias sobrevivam. Talvez, se considerarmos nossa miscigenação racial, começaremos a entender de onde vem a criatividade, determinação, ousadia, e garra, fatores fundamentais ao atual empresário industrial brasileiro.
O que acabo de dizer é muito fácil de se provar e, para tanto, proponho a seguinte questão: qual a empresa industrial de capital genuinamente brasileiro, nascida do espírito empreendedor de algum de seus sócios, que tendo sido criada há 50 anos ou mais, poderia encerrar dignamente suas atividades, pagando indenizações trabalhistas, impostos, fornecedores, ou seja, poderia extinguir seu passivo?
Raríssimos são os casos, e, infelizmente, os poucos exemplos que conheço referem-se a empresas que ao longo dos últimos anos, trataram de planejar o encerramento gradativo de suas atividades.
Mas por outro lado, também acredito que nossas contradições e dificuldades nos auxiliam e nos inspiram, assim sendo, uma das melhores atitudes para diminuirmos nossa exposição ao risco, ou seja, a gangorra que vivemos no mercado nacional, é a diversificação de mercados, a busca pelo mercado externo, as exportações, e a busca de tecnologia.
Existem no mundo nichos de mercado a serem ocupados, e para tanto, se faz necessária boa capacidade de observação, persistência e determinação, que associadas a uma boa dose de ousadia, é vital para a sobrevivência de nossa indústria.
Nos últimos dias, fui várias vezes consultado se acreditava que realmente seria possível fazer negócios com os países árabes, e qual real validade da viagem que nosso presidente recentemente efetuou aos desérticos países.
Pois bem, os negócios brasileiros no Oriente Médio atualmente são muito pequenos, já foram maiores há tempos idos, e creio que podemos mudar essa situação em pouco tempo.
Alguns setores industriais no Brasil estão bastante consolidados, e estou seguro que o setor elétrico, no que se refere a materiais para Transmissão e Distribuição de energia, poderá ocupar importante parcela do mercado do Médio Oriente, a curto prazo.
É nossa intenção fazer um trabalho sério naquela região do mundo, e os países árabes habituados a comprar grande parte de seus equipamentos elétricos junto a outros países, percebem que o Brasil tornou-se uma opção interessante, face aos preços, qualidade e a sua tecnologia bastante consolidada. Por outro lado, não espero o mesmo no que tange a Geração de Energia, pois o Brasil foi abençoado, temos mais de 80% de toda a energia elétrica gerada, por usinas hidrelétricas, o que não é possível por aquelas plagas.
Torna-se portanto, importantíssimo e fundamental, ter-se uma estratégia bem definida, estar em Feiras onde empresários árabes estejam presentes, como a Feira Industrial de Hannover – Alemanha, que acontece anualmente, e cuja próxima edição ocorrerá entre 19 e 24 de abril p.v. Naquele evento reúnem-se empresários europeus, árabes, asiáticos, latino-americanos, ou seja, é uma excelente oportunidade para fazermos contatos, e fazer com nossos interlocutores verdadeira pesquisa de mercado, para avaliar oportunidades de negócios e parcerias em várias partes do mundo.
É entretanto fundamental, uma boa preparação para tais eventos, tais como um bom mostruário de produtos, catálogos em vários idiomas, e pessoal qualificado tecnicamente para poder avaliar normas exigidas nos diferentes países, aliada a esforços que deverão ser desenvolvidos para se obter a qualificação de produtos e da própria empresa, de maneira a estar em condições de participar dos processos licitatórios, que regularmente acontecem no mundo árabe.
Tendo iniciado o trabalho de prospecção do mundo árabe há tempos, esperamos ainda este ano começar a colher frutos. Nosso interesse pelos países árabes surgiu nos últimos anos e ganhou força em 2003, quando o governo começou a organizar missões para o Oriente Médio e Norte da África. A principal delas, foi a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro. A visita de nosso presidente abre portas, o Brasil começa a ser mais visto na região, e quem não é visto não é lembrado. Isso nos permite competir com outros fornecedores mundiais e nos colocarmos à prova, em termos de capacidade, produtividade, etc, ou seja, é aditivo que se coloca no sangue dos verdadeiros empresários.
Outro fator que pode ajudar os negócios na região, especialmente na área de energia, é o acordo de cooperação firmado entre o Brasil e o Líbano, durante visita a nosso país, do presidente libanês, Émile Lahoud. Naquela ocasião, foi assinado entre os governos um convênio de cooperação nos segmentos de geração, transmissão e distribuição de energia, entre outros assuntos. Creio que esse é mais um passo para nossa aproximação ao Líbano, e à própria reconstrução do Iraque.
No início de 1990, companhias brasileiras quiseram participar do processo de reconstrução do Líbano, após o término da guerra civil, mas não estávamos preparados. É bom lembrar que ainda vivíamos no tempo de altas tarifas de importação, ou seja, barreiras às importações privilegiavam as indústrias não competitivas e desatualizadas tecnologicamente, o que se refletia na capacidade de competição no mercado externo. Agora entretanto, os tempos são outros, a indústria de equipamentos elétricos e eletrônicos, é minimamente protegida, e em alguns segmentos está totalmente consolidada e não deixará escapar a chance de fazer negócios.
No ano passado, a indústria elétrica e eletrônica exportou somente US$ 39,1 milhões ao mercado árabe. Nossas exportações estão principalmente destinadas ao disputadíssimo mercado norte americano e América Latina. Em 2003, o Brasil vendeu US$ 2,1 bilhões às empresas norte-americanas e comprou US$ 2,6 bilhões. Na América Latina, as exportações ficaram em US$ 1,3 bilhão, e as importações em US$ 316 milhões.
Agora, portanto, é hora de buscarmos novos horizontes, mirar um outro lado do mundo com capacidade econômica, e pleitearmos que o Banco Central desenvolva uma política cambial realista, que reflita de maneira correta a variação entre custos internos e externos, permitindo desta forma, darmos resposta efetiva ao esforço exportador, que se desenvolve principalmente no Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior.
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